wideband delphi

A técnica de estimar wideband delphi é uma técnica popularizada nos anos 80 do século XX.

Baseada noutra técnica, o método de delphi, é uma forma bastante democrática de obter uma estimativa.

Sem mais demoras vou explicar o essencial desta técnica:

1 – o gestor de projectos reúne uma equipa de especialistas apresentando a cada um de forma individual um requisito e um formulário de estimativa;

2 – o gestor de projectos convoca uma reunião onde é discutido cada requisito entre ele próprio e os especialistas;

3 – os especialistas preenchem o formulário de estimativa de forma secreta (tipo voto);

4 – o gestor de projectos compila as estimativas dos formulários;

5 – convoca nova reunião para apresentar de forma anónima as estimativas obtidas e incentivar a discussão dos requisitos que tenham tido maiores discrepâncias de estimativas;

6 – após a discussão os especialistas volta a preencher os formulários e repetem-se os passos de 4 a 6 até se chegar a um consenso.

Após esta descrição é possível que comecem a pensar: “mas eu já li isto em algum lado… espera lá… isto parece o planning poker!”

Exactamente! O planning poker baseia-se no wideband delphi. Com pequenas alterações (cartas em vez de formulários) mas no essencial está lá tudo.

Assim sendo, para vocês verem os principais benefícios desta técnica convido-vos a visitar (ou revisitar) o post sobre o planning poker. As vantagens são as mesmas.

Até para a semana.

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planning poker

Já ouviram falar?

É natural que não visto ser um método de estimar mais usado em projectos de desenvolvimento de software AGILE.

O planning poker consiste numa reunião dos vários membros da equipa em que se tenta chegar a um consenso relativamente a um determinado tempo ou esforço/complexidade necessários para executar uma determinada user story (requisito).

Vou passar a descrever como funciona o planning poker, que apesar de parecer uma brincadeira, é para ser levado a sério e com resultados bastante satisfatórios:
– o gestor de projectos, gestor do produto ou cliente expõe o requisito que pretende ver implementado às pessoas que vão estimar (normalmente toda a equipa);
– a equipa coloca as dúvidas que achem necessárias e passa-se para uma votação;
– cada pessoa que vai estimar dispõe de cartas numeradas (não existe uma regra para a numeração das cartas, podendo ser por exemplo a sequência Fibonacci ou 0, 1/2, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 20, 40, 100);
– as pessoas pensam no número que acham que faz sentido para o requisito em questão e mostram ao mesmo tempo a sua escolha (desta forma garante-se que a opinião de cada pessoa é genuína e própria e não influenciada pela escolha de outra pessoa qualquer);
– se todas as pessoas escolheram o mesmo número então a estimativa está dada. Se não então quem deu a estimativa mais alta e mais baixa terá de expor os motivos pela sua opção. Após nova discussão outra sessão de voto terá lugar nos mesmos moldes da primeira;
– após mostrarem as respectivas cartas ou temos um consenso no número ou então fazemos uma média de forma a chegar a uma estimativa.

O planning poker pode ser feito até chegar-se a um total consenso, mas na minha opinião se deixarmos que um requisito “consuma” várias votações começa a ser contra-produtivo. Existem outras técnicas para rentabilizar ao máximo o tempo como a utilização de um cronómetro ou de uma ampulheta para limitar o tempo das discussões.

Existem também algumas variantes do planning poker que passam por adicionar uma carta:
– com um símbolo de café para alguém indicar que precisa de um intervalo (uma pausa) para poder estimar. Particularmente útil quando as discussões forem longas ou decorrerem várias votações para um requisito;
– com o símbolo de infinito para representar que o requisito é muito grande para ser executado de uma só vez e que deve ser redimensionado;
– com um ponto de interrogação para representar a incerteza sobre a estimativa.

Não existe total consenso sobre a representação dos valores das cartas.

Os números representam story points que podem ser dias, esforço ou outra unidade de medida. Recomendo-vos que representem dias visto ser a unidade de medida mais facilmente quantificável e menos subjectiva. Se optarmos pela complexidade teremos sempre de usar outro requisito como comparação o que pode tornar-se complicado se a equipa não for sempre a mesma (rotação dos elementos da equipa).

Para vocês “jogarem” planning poker basta comprar ou imprimir as cartas de poker ou então online através desta ferramenta gratuita disponibilizada pela Mountain Goat Software. A ferramenta online revela-se particularmente útil quando a equipa de projecto está geograficamente distribuída.

Os principais benefícios do planning poker são:
– toda a equipa dá uma estimativa o que é particularmente interessante visto obtermos a opinião de todas as pessoas envolvidas e obtermos o seu comprometimento (team engagement);
– as estimativas não são influenciadas pelos restantes membros da equipa visto na primeira votação reflectir a opinião de cada um;
– as discussões seguintes obrigam todas as pessoas a reflectir novamente no requisito, o que aumenta a precisão da estimativa;
– é uma técnica de consenso, pois a estimativa resulta de uma opinião partilhada ou em último caso de uma média;
– torna divertido a tarefa, normalmente chata, de estimar.

Quero por fim dizer-vos que apesar do planning poker ser essencialmente usado em AGILE, não há nada que impeça de ser usado noutra metodologia de desenvolvimento de software (exemplo: waterfall model)

Espero ter dado uma visão geral sobre esta divertida e original técnica de estimar.

Até para a semana.