outsystems

Na semana passada tive oportunidade de dedicar-me às certificações online da outsystems.

Para quem não sabe, a Outsystems, é uma framework que gera código .net ou java out-of-the-box através de um GUI. Este GUI assenta essencialmente na representação de fluxos através de drag-and-drop et voilá! Temos a nossa aplicação ou webservice a funcionar.

A facilidade com que se programa é mesmo muito interessante e apelativa. Confesso que não sei os preços do licenciamento da plataforma e das ferramentas mas pelo que vi posso dizer que estou no mínimo impressionado.

A Outsystems promove a metodologia AGILE onde identifica 5 principais actores na equipa de projecto durante o ciclo de desenvolvimento de software (sem ordem específica):
– business manager;
– engagament manager;
– delivery manager;
– sizer;
– developer.

O developer julgo que todos sabem o que faz. 🙂
O sizer é a pessoa que dá as estimativas. A Outsystems inclusivamente oferece um serviço de validação de estimativas dos seus “representantes” / “parceiros”.
O delivery manager é o arquitecto de soluções e o scrum master.
O engagement manager (a função menina dos meus olhos) é a pessoa que faz a ponte entre a equipa de projecto e o cliente.
O business manager é basicamente o gestor da conta / do cliente. É o elemento mais “distante” da equipa de projecto.

A Outsystems tem uma ferramenta de certificação online que permite a qualquer pessoa adquirir conhecimentos básicos das suas ferramentas. É uma forma interessante de dar a conhecer as suas ferramentas, a framework e permite também divulgar a marca e evangelizar os profissionais. E sem custos! Claro que para subirmos na hierarquia da certificação teremos de ter endorsements por profissionais Outsystems que apenas estão ao nosso alcance (com muita sorte) na nossa própria equipa de projectou ou então em bootcamps da própria Outsystems (atenção: os bootcamps já têm custos associados e na minha opinião bastante elevados).

Resumindo, gostei muito da Outsystems, acho a sua framework uma excelente hipótese para os desenvolvimentos e projectos de uma empresa, adorei o papel desempenhado pelo engagement manager e achei muito original a certificação.

Recomendo.

Até para a semana.

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equipas geograficamente dispersas

Quase sempre uma equipa de projecto está num único país.

Muito frequentemente esta equipa encontra-se na mesma cidade.

Regularmente está no mesmo edifício.

Com alguma sorte partilham o mesmo piso.

E num cenário perfeito, toda a equipa de projecto encontra-se na mesma sala ou espaço.
Uma equipa partilhar o mesmo espaço é uma enorme vantagem para o projecto na medida em que facilita imenso a interacção da equipa, tornando-a bastante mais eficiente.

Mas este post não é sobre equipas que estão à distância de 2 passos, que conseguem manter contacto visual e com linhas de comunicação directas sem barreiras. Este post é sobre a globalização da equipa, ou seja, equipas geograficamente dispersas.

Equipas geograficamente dispersas são equipas que por algum motivo não partilham o mesmo espaço, piso e edifício. Poderão por ventura até partilhar a mesma cidade mas já não é a mesma coisa que partilhar um espaço.
Uma equipa com elementos deslocados, dispersa geograficamente, exige cuidados bastante diferentes das restantes equipas.

E que tipos de preocupações devem ser tomadas em conta?
– Todos os elementos falam a mesma língua? (apesar deste problema ser passível de ocorrer em equipas que partilhem o mesmo espaço, ocorre com maior frequência em equipas geograficamente dispersas)
– Em que fusos horários a equipa trabalha?
– Que diferentes feriados afectam a equipa?
– Que horários são praticados?
– Que meios de comunicação são usados?
– Como decorrem as reuniões de equipa?
– Como pode a equipa comunicar entre si?
– Existem diferenças culturais?

Como podem ver existem bastantes questões que não podem ser forma alguma descuradas, obrigando o gestor de projecto a redobrar a sua atenção. Um projecto com uma equipa dispersa é bastante mais time-consuming exigindo muito de um gestor de projectos.

Não deixa de ser também verdade que a tecnologia que temos ao nosso dispor (email, video-conferences, call-confereces, skype, gtalk, msn, etc.) facilita esta tarefa. Sem estes meios seria praticamente impossível gerir uma equipa offshore.

Também temos de ter em conta que é bastante mais difícil motivar uma equipa nestas condições. Como é que se fomenta o espírito de uma equipa dispersa? Como é que se pode evoluir para uma equipa de alto rendimento tendo em conta as limitações geográficas? Surgem também outros entraves: Como partilhamos o conhecimento? Como é que fazemos a gestão do risco em equipas virtuais?
O ponto de partida é exactamente o mesmo das equipas não dispersas geograficamente, sem esquecermos todas as preocupações acima mencionadas.

Sem dúvida que é uma tarefa ingrata e uma gestão exigente; mas são as circunstâncias com que nos podemos deparar. Estas equipas não existem apenas nos livros e em exemplos académicos. Por exemplo, em ambientes AGILE e Scrum não é de todo incomum encontrarmos equipas off-shore. A solução nestes casos passa pela existência de um Scrum Master na equipa offshore. Mesmo nas equipas que pratiquem o PMBoK, o PRINCE2 ou outra metodologia / framework a minha recomendação é que, sempre que possível, exista um responsável pelos elementos dispersos. Outra boa prática é que se evite ter uma subequipa dispersa, ou seja, a termos de viver com equipas dispersas o ideal é termos, por exemplo, a subequipa de testes noutra localização, ou seja, que não se tenha duas ou mais pessoas a trabalhar na mesma tarefa dispersas, pois certamente irão existir problemas de comunicação, de sincronização (falta de comunicação oral e contacto visual) e problemas de cariz técnicos (como por exemplo os merges em projectos de desenvolvimento de software).

Temos essencialmente de garantir a total sintonia entre toda a equipa, principalmente na forma como são geridos os requisitos do projecto.

Julgo que agora conseguem ter uma boa ideia da problemática inerente às equipas geograficamente dispersas. Recorrendo à gíria popular, pode-se dizer que não sendo nenhum “bicho-de-sete-cabeças” não é também “pêra doce”.

Até para a semana.