conhecimento e competência

Por hobby, curiosidade mórbida e também para avaliar os “requisitos” do mercado de trabalho gosto de ler anúncios de emprego.

Tal como já tinha referido aqui cerca de 90% dos anúncios de emprego de gestão de projecto fazem referência à certificação PMP, como requisito ou como nice-to-have.

Tive oportunidade de discutir com um colega, o Rui, que efectivamente e ao contrário do que muita gente possa pensar, o PMP é uma certificação de conhecimento e não de competência. O que me leva às seguintes questões:

Será que as organizações estão ao corrente deste facto? Julgo que não. Se soubessem desta realidade será que o PMP teria assim tanto valor? Não creio. Existirão assim tantas empresas que efectivamente seguem as práticas defendidas no PMBoK para necessitarem de gestores de projecto com certificação PMP? Tenho dúvidas.

A verdade é que o PMP apenas “diz” que uma pessoa tem conhecimentos sobre o PMBoK. Não constata que essa pessoa seja competente enquanto gestor de projectos. Reparem que uma pessoa pode saber imenso sobre um assunto na teoria e não o conseguir usar na prática. Já se diz em Portugal à muitos anos que quem sabe pratica e quem não sabe ensina, fazendo uma clara alusão de que efectivamente saber a teoria não é por si só uma garantia que sejamos competentes e eficientes quando passamos à prática.

Assim sendo reflicto nas seguintes questões:

Será que o PMP é uma certificação que dê as garantias que as empresas procuram? Seguramente não.

Um gestor de projectos PMP certified será um melhor de gestor de projectos? Claramente não.

O PMP garante que uma pessoa tenha um vasto conhecimento do PMBoK? Sem dúvida. (Desde que a pessoa em causa não tenha estudado pelo famoso livro da Rita Mulcahy que ensina a passar ao exame PMBoK e não ensina o PMBoK propriamente dito).

Com este post espero ter tornado claro que uma certificação de conhecimento não é uma certificação de competência. Existe uma grande diferença entre se ter um conhecimento numa determinada área e ser-se competente nessa mesma área. A competência meus caros, apenas se tem através da experiência profissional. E na minha opinião não há
certificação que valha mais do que um bom CV.

Não excluo, contudo, a hipótese de me certificar PMP. Inclusivamente reconheço que me tornar mais sexy no mercado do trabalho. Mas é só isso, uma questão de “sex-appeal” e não de competência.

Até para a semana.

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lessons learned

Um projecto acabou.

E agora?

Partimos para o próximo?

(Ainda) não!

Tiramos um tempo de férias?

Também não!

O que devemos realmente fazer é perder umas horas a olhar para tudo o que aconteceu e reflectir. Esta tarefa de reflexão pós-projecto chama-se “lessons learned” e basicamente é um dos grandes potenciadores do crescimento pessoal e profissional de um gestor de projectos.

O que correu bem?
Porque é que correu bem?
O que correu mal?
Porque é que correu mal?
Como poderia ter corrido melhor?
Tomei a decisão acertada em todos os momentos?
O que faltou no projecto?
Como poderemos ser melhores?

Todas estas questões devem ser respondidas para que no próximo projecto consigamos ser mais eficientes.

Não tenho dúvidas que erradamente muitos colegas de profissão julguem que as lessons learned são uma perda de tempo mas a verdade é que não podiam estar mais enganados. Só a olharmos e a pensarmos no que aconteceu durante todo o projecto é que podemos aspirar a ser
melhores. Devemos tomar as nossas atitudes baseadas na nossa experiência (passado) e não por mero acaso (de forma aleatória).

A experiência é fundamental num gestor de projectos. Daí uma das principais características de um gestor de projecto ser a senioridade.

As lessons learned podem e devem ser documentadas para que a experiência por nós adquirida possa também ficar como fonte de conhecimento para a nossa organização. Esta medida traz bastantes vantagens entre as quais facilitar uma eventual passagem de pasta de um projecto de um gestor para outro e também a criação de um histórico ou biblioteca de conhecimento de projectos.

As lessons learned não são uma perda de tempo mas sim um investimento.

Até para a semana.