IPMA

O IPMA, tal como o PMI, poderá ser definido como uma organização de standards de gestão de projecto. Fundada primeiro que o PMI, o IPMA tem representação em praticamente todos os países europeus. Apesar deste facto, o PMI é amplamente mais conhecido (diferente de reconhecido) do que o IPMA.

No IPMA existem 4 níveis de certificação:
A – director de projectos;
B – gestor de projectos sénior;
C – gestor de projectos, equivalente ao PMP;
D – participante em projectos, equivalente ao CAPM.

Para além de algumas semelhanças, a verdade é que existem também várias diferenças. A diferença que mais me agrada e que torna (na minha opinião) o IPMA bastante mais sério e credível do que o PMI é que o IPMA não certifica ninguém sem passar no exame “da praxe” e sem uma entrevista pessoal onde o candidato tem que efectivamente comprovar que cumpre com os requisitos mínimos para a certificação que procura obter. Isto quer dizer que o IPMA assegura-se que todos os candidatos estão elegíveis para o respectivo certificado. Como vocês sabem no PMP apenas necessitamos de declarar que temos a experiência devida e a educação exigida e com um pouco de sorte não somos auditados, pois o PMI apenas audita um certo número de candidatos de forma aleatória.

Long story short, ambas tem um documento com todas as suas linhas de pensamento (PMBok no caso do PMI e NCB – National Competence Baseline no caso do IPMA) e ambas exigem a aprovação num exame. O que distingue verdadeiramente estas duas organizações:
1 – O PMI e o PMP são mais populares do que o IPMA e os seus níveis, embora a nível de reconhecimento dentro do mundo da gestão de projecto estão ao mesmo nível e possivelmente até existirá uma pequena vantagem para o IPMA;
2 – Ter um IPMA nível C significa que efectivamente a pessoa tem a experiência que alega ter;
3 – A certificação do IPMA é valida por 5 anos e a do PMI apenas por 3;
4 – A “bíblia” do IPMA (o NCB) é adaptado à realidade de cada país, pois o NCB é uma derivação do ICB – IPMA Competence Baseline enquanto que o PMBoK é global.

O IPMA inclusivamente tem uma característica que me agrada, que é a humildade, pois reconhece que o PMBoK e o NBC são de tal forma semelhantes que uma pessoa detentora de um PMP está dispensada do exame do IPMA. Mas não se enganem! Mesmo dispensados do exame os candidatos terão de ir à entrevista provar a sua experiência e os seus méritos. Já quem tem o nível C do IPMA terá de fazer na mesma o exame do PMP.

Claramente dou um “thumbs up” ao IPMA e um “thumbs down” ao PMI.

Agora com estes dados o que eu vos recomendo a nível de rentabilidade dos vossos neurónios é: Fazer a certificação do PMP e depois fazer a do IPMA nível C. Desta forma apenas fazem um exame (o do PMP) e a restante parte do IPMA (entrevista pessoal) para serem certificados. Creio que é a forma mais inteligente de se obter estas duas prestigiantes certificações sem terem de se sujeitar a 2 exames de cerca de 3 horas.

Até para a semana.

conhecimento e competência

Por hobby, curiosidade mórbida e também para avaliar os “requisitos” do mercado de trabalho gosto de ler anúncios de emprego.

Tal como já tinha referido aqui cerca de 90% dos anúncios de emprego de gestão de projecto fazem referência à certificação PMP, como requisito ou como nice-to-have.

Tive oportunidade de discutir com um colega, o Rui, que efectivamente e ao contrário do que muita gente possa pensar, o PMP é uma certificação de conhecimento e não de competência. O que me leva às seguintes questões:

Será que as organizações estão ao corrente deste facto? Julgo que não. Se soubessem desta realidade será que o PMP teria assim tanto valor? Não creio. Existirão assim tantas empresas que efectivamente seguem as práticas defendidas no PMBoK para necessitarem de gestores de projecto com certificação PMP? Tenho dúvidas.

A verdade é que o PMP apenas “diz” que uma pessoa tem conhecimentos sobre o PMBoK. Não constata que essa pessoa seja competente enquanto gestor de projectos. Reparem que uma pessoa pode saber imenso sobre um assunto na teoria e não o conseguir usar na prática. Já se diz em Portugal à muitos anos que quem sabe pratica e quem não sabe ensina, fazendo uma clara alusão de que efectivamente saber a teoria não é por si só uma garantia que sejamos competentes e eficientes quando passamos à prática.

Assim sendo reflicto nas seguintes questões:

Será que o PMP é uma certificação que dê as garantias que as empresas procuram? Seguramente não.

Um gestor de projectos PMP certified será um melhor de gestor de projectos? Claramente não.

O PMP garante que uma pessoa tenha um vasto conhecimento do PMBoK? Sem dúvida. (Desde que a pessoa em causa não tenha estudado pelo famoso livro da Rita Mulcahy que ensina a passar ao exame PMBoK e não ensina o PMBoK propriamente dito).

Com este post espero ter tornado claro que uma certificação de conhecimento não é uma certificação de competência. Existe uma grande diferença entre se ter um conhecimento numa determinada área e ser-se competente nessa mesma área. A competência meus caros, apenas se tem através da experiência profissional. E na minha opinião não há
certificação que valha mais do que um bom CV.

Não excluo, contudo, a hipótese de me certificar PMP. Inclusivamente reconheço que me tornar mais sexy no mercado do trabalho. Mas é só isso, uma questão de “sex-appeal” e não de competência.

Até para a semana.

requisitos pmp

Já aqui falei sobre a certificação do pmi, o pmp.

O que hoje vos venho falar é algo grave, ou melhor, muito grave.

Sem dúvida que o PMBoK é um manual muito interessante e que a certificação PMP também. E o que eu tenho visto ultrapassa todos os limites da honestidade e seriedade.

O primeiro caso que vos venho falar é sobre os anúncios de emprego que pedem gestores de projecto com 2 anos de experiência e com a certificação PMP. Ora um dos requisitos da certificação PMP é ter-se no mínimo 3 anos de experiência em gestão de projecto, o que quer dizer que este anuncio demonstra uma de duas coisas:

1 – Ignorância total de quem procura os candidatos;

2 – Total alinhamento e concordância com as “trafulhices” que muitos gestores de projecto fazem a candidatarem-se e a obterem uma certificação para a qual não estão habilitados.

O segundo caso que tenho para contar é que eu efectivamente conheço colegas que fizeram a “trafulhice” descrita no ponto 2. Não quero tirar o mérito a quem conseguiu obter a certificação PMP, mas se não estamos elegíveis para a obter estamos no mínimo a por em causa toda a qualidade que era suposto o PMP conferir.

E agora tendo em conta estes 2 casos o que pensar do PMP? É efectivamente uma mais valia? É só para Inglês ver? Pois eu também não tenho a resposta para estas perguntas mas posso-vos garantir que, para já, ainda estou interessado em obter a certificação assim que completar os 3 anos de experiência de gestão de projecto (já falta pouco!). Embora se começar a ter conhecimento de mais episódios destes não sei até que ponto irei manter o interesse.

Acima de tudo não deixa de ser triste saber que, para variar, há pessoas a quebrarem regras para proveito próprio e colocando toda uma certificação em causa de forma (mais ou menos) ingénua.

Até para a semana.

jornada do stress

No dia 4 de Julho (sábado passado) tive oportunidade de ir assistir à conferência “Jornada do Stress” da Dr.ª Isabel Rodrigues. A conferência foi proporcionada pelo PAGAP (Programa Avançado de Gestão e Avaliação de Projectos) da Universidade Católica.

Foi uma conferência bastante interessante onde não se deu pelo tempo passar (durou cerca de 2 horas). Foram abordados temas interessantíssimos como as origens do stress, o comportamento do corpo humano ao stress, desde quando o stress começou a ser estudado, como evitar e lidar com o stress, como gerir emoções, etc.

Achei que a Dr.ª Isabel Rodrigues esteve bastante bem como oradora pois conseguiu captar com bastante facilidade a atenção dos presentes. A apresentação estava muito boa, com slides com fundo branco e sempre com uma imagem ilustrativa do conteúdo do slide. Muito boa mesmo.

Fiquei impressionado (pela negativa) como é que numa conferência a um sábado de manhã, das 11h00 às 13h00, a oradora teve de “mandar calar” duas pessoas da assistência porque claramente estavam mais interessadas em discutir o episódio do dia anterior da telenovela da TVI do que na conferência em si. Uma enorme falta de respeito por parte de pessoas que já tinham idade para saber fazer melhor figura. Apesar deste momento menos feliz, recomendo a conferência a todos os que tenham oportunidade de assistir à Dr.ª Isabel.

Relativamente ao PAGAP, é  um curso interessante que nos fornece as PDUs necessárias para ficarmos elegíveis para o PMP. É um curso que aborda a gestão de projecto de forma bastante generalizada o que é interessante na medida em que se aplica aos mais variados projectos, desde engenharia civil até aos informáticos. A opinião dos ex-alunos do PAGAP é que de facto o curso compensa e é bastante interessante na medida em que permite expandir bastante os nossos horizontes.

A Universidade Católica também esteve muito bem, pois as pessoas presentes na conferência (maioritariamente ex-alunos do PAGAP) têm direito a estacionamento gratuito e tem acesso ao “Executive Lounge” onde as pessoas podem conviver e tomar o pequeno-almoço (também gratuito) antes da conferência. Basicamente é um coffee break gratuito sempre disponível durante as aulas do curso e conferências. O director do PAGAP teve o cuidado de cumprimentar todos os presentes e permite também que pessoas que não tenham frequentado o PAGAP (como eu) tenham oportunidade de ver in loco as vantagens de frequentar este curso.

Foi um sábado de manhã diferente e muito proveitoso.

Se quiserem informar-se mais sobre este curso podem consultar este link.

Até para a semana.

certificações

Após uma apresentação das duas metodologias mais conhecidas, passo agora a expor as respectivas certificações.

As certificações do PMI (PMBoK) são:

CAPM – Certified Associate in Project Management:

Certificação de contribuição para a equipa de projecto. Por ser este o objectivo desta certificação, na minha opinião, interessa muito pouco. Apenas demonstra que somos uma parte activa/participativa da equipa de projecto. Não oferece garantias nenhumas para a gestão de projecto em si, apesar da pessoa ter de se familiarizar com o PMBoK.

Para obter esta certificação é necessário um exame de escolha múltipla (duração de 3 horas com 150 perguntas).

Preço do exame é de 300 dólares.

Necessário renovar ao final de 5 anos.

Exige 1500 horas de experiência.

Conclusão: Não gera valor acrescentado para quem quer gerir projectos. Na minha opinião faz mais sentido apostar no PMP, embora seja necessário cumprir os requisitos de elegibilidade para o exame (que são bastante mais exigentes dos que os do CAPM). Só poderá ser interessante se a pessoa quiser estudar e testar os seus conhecimentos do PMBoK.

PMP – Project Management Professional:

Certificação de gestão de projecto. É a certificação por excelência do PMI. É uma certificação aceite e reconhecida a nível mundial e que trás um enorme peso ao nosso CV. Qualquer pessoa que queira vingar na área da gestão de projecto deve planear obter esta certificação. Mas não é fácil visto para sermos elegíveis para esta certificação termos de ter 5 anos de experiência como gestor de projecto (no caso de termos apenas concluído o 12º ano) ou 3 anos de experiência (no caso de termos um diploma universitário).

Para obter esta certificação é necessário um exame de escolha múltipla (duração de 4 horas com 200 perguntas).

Preço do exame é de 555 dólares.

Necessário renovar ao final de 3 anos através da obtenção de 60 PDUs (podem consultar o site do PMI para se inteirarem deste sistema complexo de renovação).

Exige 3 anos de experiência + 35 horas de aulas.

Hoje em dia é possível realizar os exames do PMI em território Português.

Nota: Existem mais 3 certificações do PMI (PMI-SP, PMI-RMP e PgMP), mas nos casos do PMI-SP e PMI-RMP são englobados pelo PMP e o PgMP está mais orientado para gestão de “programas”, ou seja, gestão de gestão de projectos e/ou gestão de produtos. Basicamente é um nível acima da gestão de projecto.

As certificações de PRINCE2 são:

The PRINCE2 Foundation exam:

Semelhante ao CAPM do PMBoK em termos de objectivos, ou seja, apenas atesta conhecimentos de PRINCE2. Não dota a pessoa de know-how para a gestão de projecto.

O exame é de escolha múltipla com duração de 1 hora. Tem 75 questões das quais 38 terão de estar correctas para obtermos a certificação.

O preço do exame é de £200.

Não é necessário renovar.
The PRINCE2 Practitioner exam:

Certificação ao nível do PMP. Esta é a certificação para atestar as competências de um Gestor de projecto na metodologia PRINCE2. Ao contrário do PMP, para fazermos o Practitioner exam temos obrigatoriamente de ter passado no Foundation exam. Isto quer dizer que para termos a principal certificação do PRINCE2 temos de fazer 2 exames.

O exame tem apenas 9 perguntas que simulam vários cenários. Cada pergunta vale 40 pontos. É necessário obter-se pelo menos 180 pontos de 360 possíveis para se obter a certificação. A duração do exame é de 3 horas. Ao contrário de qualquer certificação até aqui falada, neste exame é possível e recomendável a consulta ao manual do PRINCE2.

O preço do exame é de £370.

É necessário ser renovado de 5 em 5 anos (ficamos certificados por um período de tempo mais alargado do que o do PMP).

Chamo a vossa atenção para o facto que os exames do PRINCE2 apenas serem realizados em Inglaterra ou nos consulados Ingleses. Também é de realçar que as certificações do PRINCE2 não exigem experiência (ao contrário das certificações do PMI).

Tendo em conta o que vos acabei de expor, cabe a cada um de vocês decidir que tipo de certificação pretendem e que rumo querem seguir (PRINCE2, PMBoK ou ambos). No meu caso vou aguardar até ficar elegível para o PMP, visto não acreditar que o CAPM seja uma mais valia a nível curricular. Acho que em Portugal o PMBoK é bastante mais aceite que o PRINCE2 e por este facto não penso em tirar nenhuma certificação dos nossos amigos Ingleses.

Espero ter-vos elucidado um pouco sobre este tema extenso que é as certificações no mundo da gestão de projecto.

Até para a semana.