the scrum experience

Após estarmos à um tempo considerável a usar Scrum aqui fica o status da experiência.

O primeiro contacto da equipa com o Scrum não foi muito pacífico (embora também não tenha sido nenhuma desgraça), pois apesar de ter transmitido que a presença de um quadro com as tarefas de um projecto não tinha como propósito ser um “big brother”, a verdade é que senti alguma resistência à mudança, pois o white board era encarado como uma ferramenta de controlo/subjugação. Constatei que o white board (inicialmente) em vez de se tornar um facilitador tinha-se tornado uma fonte de stress.

Mas na verdade, e tal como esperava, após a equipa habituar-se à presença do white board (uma questão de dias), bem como das daily scrums, o trabalho começou a fluir de uma forma muito interessante e sem dúvida que nos tornamos bastante mais eficientes.

Com as nossas daily scrums e com o white board conseguimos de forma rápida e simples aferir em que ponto do projecto estamos, que dificuldades estamos a sentir no desenrolar das actuais tarefas, o que está feito, o que está por fazer e o que está realmente feito (validado).

Inclusivamente tivemos um projecto em que o cliente quis fazer uma versão beta e como tínhamos todas as tarefas claramente identificadas foi muito simples definir que features seriam possíveis para uma versão beta e que features apenas estariam disponíveis para a versão final. E é neste tipo de situações em que o Scrum se torna uma mais valia e se destaca das demais metodologias de gestão de projectos.
Apenas deixamos de utilizar o white board quando entramos em fase de testes. Aí usamos uma ferramenta open-source, chamada redmine, para fazermos toda a gestão do fluxo de reporting de bugs (desde o momento em que o bug é reportado até à sua resolução e validação por parte do cliente).

Neste momento estou muito satisfeito com o Scrum e a equipa também já o perfilhou. Estamos todos (a equipa) satisfeitos com o Scrum. As “coisas” mudaram para melhor e somos hoje uma equipa mais eficiente.

Gostaria só de deixar um aviso à navegação: o Scrum não é uma silver bullet, ou seja, não é a solução para todos os males de uma equipa. É apenas uma excelente forma de gerir e desenvolver projectos. Li uma frase na internet que explica da melhor forma o que acabei de escrever: “A great team will have great success with or without Scrum. A shitty team will still produce shit with scrum. Just that the shitty scrum team will see it earlier than the shitty no-scrum team”.

Até para a semana.

silver bullets

De todos os chavões que me chamaram a atenção nos termos utilizados na gestão de projectos, silver bullets foi de longe o meu preferido.

Não só por todo o misticismo que gira em torno deste termo, mas também pelo significado em si.

Silver bullets é basicamente a solução, ou mais um milagre, para a solução de um grande problema. E estas “balas” enquadram-se na gestão de projecto na medida em que não existe sempre uma solução out-of-the-box para os problemas.

Já vimos aqui que gerir um projecto com sucesso e sem problemas não é como uma receita, ou seja, algo que se for seguido à risca terá sempre sucesso.

Existem problemas e imprevistos e não existem receitas/soluções que previnam todo e qualquer dissabor. Muito menos quando essa solução passa por uma novidade tecnológica! (a tecnologia nunca é a resposta para os problemas).

Por isso se diz que em gestão de projecto não existem silver bullets. Cada projecto é um projecto e nada é repetível ao ponto de se conseguir fazer uma “receita” para a gestão com sucesso de um projecto.

Claro que existem uma série de precauções e boas práticas que permitem diminuir a hipótese de insucesso, mas a verdade é que quem anda à chuva molha-se… e quem gere projectos está sujeito a que o seu projecto seja um insucesso ou pelo menos a deparar-se com problemas sem uma fácil solução. É algo que não é evitável.

Tal como José Mourinho não consegue ganhar sempre, nenhum gestor de projectos consegue sempre gerir projectos de forma bem sucedida.

Não existem silver bullets.

Não existem projectos sem problemas.

Não existem problemas com soluções universais.

E toda esta incerteza é o que torna este mundo da gestão de projectos fascinante.

Até para a semana.