Comunicação em equipas Ágeis: Desafios e Conquistas

Aconteceu no passado sábado o evento de referência da IPMA Young Crew Portugal, o PM4ALL, em Lisboa.

Foi um evento muito interessante onde tiver oportunidade de conhecer a Marisa “the Lucky PM” Silva, a Andreia Henriques e onde revi vários amigos. Parecia que estava em casa. 🙂

O dia foi muito bem passado com sessões (painéis e apresentações) excelentes. Gostei imenso da apresentação sobre Rapport da Ana Maças e da Lara Cunha.

Tive também oportunidade de abraçar a Sara Batalha o que foi, no mínimo, inesperado! 🙂

A apresentação que foi simplesmente overwhelming pelo conteúdo e pela forma super original foi a do Eduardo Espinheira que fez-me ganhar o dia. Ligar Gestão de Projeto com o “Principe” de “o tio” Nicolau Maquiavel e não dizer uma única palavra durante uma apresentação foi realmente uma lição de creatividade e de como estar em palco.

A minha apresentação foi sobre comunicação (o tema do PM4ALL deste ano) e equipas ágeis e tinha como título “Comunicação em equipas Ágeis: Desafios e Conquistas“. Abordei o tema mostrando que a pobre / falta de comunicação é um dos maiores motivos de insucesso dos projectos, demonstrei como é difícil comunicar (por causa da diversidade de canais disponíveis, das emoções, da urgência, da efetividade e do efeito “telefone estragado”) e como o facto de termos equipas grandes torna a comunicação muito difícil dentro da equipa. Falei do livro “The Mythical Man-Month” de Fred Brooks e falei sobre equipas co-localizadas e remotas.

Tive imensa pena de ter de “fugir” às 17h00 de volta para o Porto mas a um Sábado não tinha margem para ficar até ao fim do evento.

Foi um evento espetacular, organizado exclusivamente por pessoas em regime de voluntariado, e que não me deixa dúvidas que para o ano ainda será melhor. Recomendo!

Aqui ficam duas fotos da praxe:

Até para a semana. 🙂

Agile is Dead :: Wrap-up

Ao fim de 4 apresentações do Agile is Dead (no Pixels Camp, no Aginext, no Agile Connect e no Viana Tech Meetups)… acho que vou dar um “descanço” à minha apresentação que maior sucesso e aceitação teve (se bem que ainda devo esta apresentação à comunidade da Netponto… por isso vamos ver se não haverá uma última apresentação).

A verdade é que este tema está cada vez mais atual que nunca.

Senão vejamos:

  • Vemos novas empresas a quererem começar o seu caminho ágil;
  • Vemos empresas que já faziam há bastante tempo a sua travessia  a voltarem a trás e a questionarem/repensarem o ágil;
  • Vemos consultores a auto proclamarem-se “transformational, organisational, enterprise, technical, lean, agile coaches” sem terem experiência relevante na área;
  • Continuamos com os mesmos trainers a amealharem milhares de euros por cada “curso” de 2 dias;
  • Vemos N vertentes de ágil a surgirem: quer sejam pelo desafio de escalar (exemplos: SAFe, LeSS) quer seja pelo desafio de fazer as coisas de forma diferente (exemplos: Agnostic Agile, Modern Agile);
  • Vemos implementações de Scrum, no mínimo, questionáveis em várias empresas;
  • Não vemos melhorias óbvias, evolução na comunidade (comunidade esta que apregoa a melhoria contínua);
  • Vemos poucas comunidades ativas de aficionados e praticantes ágeis (uma boa exceção a este cenário é a Agile Connect);
  • Vemos empresas a questionar o ágil quer seja porque têm/tiveram as pessoas erradas a liderar/dinamizar o movimento quer seja porque não tem paciência para esperar pelos resultados;
  • Vemos empresas a não obterem os resultados de delivery desejados e a “culpabilizarem” o ágil.

E o que devemos fazer perante isto?

As (poucas) respostas que tenho para dar são:

  • Voltar para/continuar a fazer waterfall não é solução;
  • As empresas têm que ser muito mais exigentes com quem contratam para os papéis de scrum master/agile coach/consultor;
  • Definam critérios de sucesso claros entorno da adoção do ágil;
  • Meçam os resultados obtidos (quantitativos e qualitativos);
  • Evitem febres, modas e caminhos “rápidos” ou “fáceis”.

E pronto… ao fim de 4 meses sem escrever no meu blog tinha de voltar com um post deste estilo. O meu objetivo não é, nem nunca foi, denegrir o ágil… mas sim aumentar o sentido de urgência para que façamos alguma coisa em relação ao seu status quo.

Até para a semana.

Agile is Dead :: Aginext London 2018

A segunda edição da conferência Aginext aconteceu, em Londres, nos passados dias 22 e 23 de Março.

Os keynotes foram do Dave Snowden (primeiro dia) e do Antony Marcano (segundo dia). Tanto uma apresentação como a outra foram muito insightful. O Dave explorou a entrada no mundo Agile por parte das McKinzeys e Gartners da vida e como isso irá afetar as “Agile boutiques”. O Antony explorou um novo conceito, que tem construído com Kent Beck (pai do eXtreme Programming), chamado eXplore, eXpand e eXtract.

Umas das talks que mais gostei foi sem dúvida a talk do Dan (KanbanDan) Brown: Scrum is from Mars, Kanban is from Venus. Cada vez mais estou convencido que (de uma forma genérica) o Kanban consegue ser mais eficiente do que o Scrum nas organizações.

Em termos de regular talks/workshops destaco alguns speakers que estiveram muito bem: Richard Atherton, Dean Latchana, Roy Marriott and Portia Tung (autora do livro “The Dream Team Nightmare: Boost Team Productivity Using Agile Techniques”), Andrew Spence (Agile em auditoria), Torbjörn Gyllebring e Toby Sinclair.

Os temas foram muito pertinentes e variados; falou-se do futuro do Agile com especial enfoque em Kanban, Coaching, Comunicação e Transformação ágil.

A minha talk “Agile is Dead” foi muito bem recebida e tive inclusivamente o privilégio de ter a Liz Keogh a tweetar sobre a minha talk.

agile is dead :: me on stage

 

Pouco depois da minha talk tive a honra de ser convidado para abrir o painel “Why Agile Transformations Fail” com o Dean Latchana.

Panel Debate - Why Agile Transformations Fail by Dean Latchana

Foi um evento muito muito bom. Parabéns ao David Gimelle e ao resto da equipa pela organização.

A comunidade ágil Inglesa (e não só visto terem estado várias pessoas da comunidade Alemã) é realmente muito interessada e dinâmica.

É engraçado que sempre que estou em Londres fico com nostalgia dos dias que vivi nesta cidade. 🙂

Até para a semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lean em engenharia de software

Como eu costumo contar nas minhas apresentações, comecei a minha navegação por mares ágeis em 2010. No começo dediquei muito tempo ao Scrum, depois ao Extreme Programming e finalmente ao Kanban. O scaling scrum nunca mereceu muito da minha atenção até porque em 2010 a única framework que existia de scaling scrum era o simples (mas extremamente eficiente) “Scrum of Scrums”… que até à data é a unica framework totalmente gratuita, sem cursos associados e sem livros escritos.

Lean sempre foi algo que me interessou minimamente mas não o suficiente para desviar a minha atenção do Agile. E ao contrário do que muitos escrevem, para mim Agile e Lean estão ao mesmo nível de grandeza, são dois mindsets, duas disciplinas independentes, não opostas, com uma zona comum. Aqui fica uma imagem (afinal vale mais do que mil palavras) do que eu acredito ser a “relação” entre Agile e Lean:

Ultimamente, talvez por ter começado a ser um entusiasta de SRE, DevOps e Operações, tenho focado a minha atenção mais em Lean e menos em Agile. E se antes achava que tinha uma boa ideia do que era Lean aplicado a Software engineering… só depois de ler:

  • “The Phoenix Project: A Novel about IT, DevOps, and Helping Your Business Win”;
  • “The DevOps Handbook:: How to Create World-Class Agility, Reliability, and Security in Technology Organizations”;
  • “Personal Kanban: Mapping Work | Navigating Life”.

é que realmente percebi como sabia bem menos de Lean do que achava.

Lean é extremamente poderoso e apaixonante. É uma ferramenta “diferente” do Agile mas que qualquer profissional de IT devia ter na sua toolbox.

Como eu acredito em walk the talk, eat your own dog food, lead by example, practice what you preach,  criei o meu personal kanban board com a ajuda desta ferramenta. Ao final de algumas semanas posso dizer que não só fiquei mais organizado, como tornei-me também menos ansioso. O poder da visualização e de limitar o trabalho em progresso (WIP) é realmente fantástico. 🙂

Até para a semana.

 

Aginext.io London Conference 2018

Soube esta semana que a minha talk Agile is Dead foi aceite para a conferência Aginext.io London Conference 2018.

Isto quer dizer que os meus planos de fazer um hiato em public speaking terão de ser adiados.

Esta conferência permite-me regressar à cidade onde já vivi (Brentford), onde já trabalhei (Sky UK) e onde já fiz também uma talk (Agile Tour London 2016).

A verdade é que guardo boas recordações de Londres e gosto sempre de regressar a esta cidade. Não há como beber uma boa pint num pub Inglês. 🙂

Até para a semana.

Agile is Dead :: Pixels Camp 2018

No mês passado fiz uma apresentação, no Pixels Camp, em Lisboa, entitulada “Agile is Dead“.

pixels camp 2017

É uma talk, polémica, bastante em linha com o “Unlearn your CSM“.

Tanto o Unlearn your CSM como o Agile is Dead explora o estado atual da Agile não só em Portugal mas no resto do mundo… fazendo uma crítica à forma como o Agile evoluiu e como tem sido adotado pelas empresas.

Acredito que hoje estamos muito longe dos principios e valores do Agile e isso é algo que me preocupa e me deixa triste / apreensivo em relação ao futuro das empresas e do desenvolvimento de software.

Como (not so much) fun fact… reparei que à medida que me fui focando nos “problemas” da agilidade dei por mim a ter cada vez menos vontade de fazer apresentações sobre Agile.

Neste momento estou bastante convicto que este foi o último ano que fiz apresentações sobre Agile… por isso quem me viu a fazer uma apresentação espero que tenha gostado… e quem não me viu a apresentar… sempre pode ver alguns dos meus videos aqui.

Não tenho dúvidas que recebi muito desta comunidade e acho que também contribuí bastante… paro numa altura de dever cumprido.

Creio que está na altura de dar espaço para outras pessoas se afirmarem neste espaço e que façam o Agile voltar às suas origens: “We are uncovering better ways of developing software by doing it and helping others do it“.

Deixo por fim uma recomendação às comunidades ágeis em Portugal: Sejam menos elitistas e sejam mais inclusivos. Juntos somos fortes… sozinhos somos fracos… ou como disse Aristóteles: “The whole is greater than the sum of its parts.”

 

P.S: Continuo a ser um grande fã da agilidade… e não tenho dúvidas que este é o caminho a seguir.

Your Certification is About to Expire

Esta semana recebi um email da Scrum Alliance (SA) com o título “Your Certification is About to Expire”.

Fui verificar a validade das minhas certificações e reparei que estavam realmente a expirar.

Eu detenho quatro certificações da Scrum Alliance: Certified Scrum Developer (CSD), Certified ScrumMaster (CSM), Certified Scrum Product Owner (CSPO) e Certified Scrum Professional (CSP).

Olhando para o histórico de pagamentos, apercebi-me que sou certificado pela SA desde 2011.

Entre certificações e renovações já gastei mais de 4000 euros.

Todas as certificações foram pagas por mim porque acredito que antes das empresas apostarem nas suas pessoas acho que as pessoas devem apostar em si mesmas. Não quero com isto dizer que as empresas não devem investir nas suas pessoas… mas a verdade é que se nós não investirmos em nós… quem investirá?
Quem deve gerir a nossa carreira? Nós? Ou a nossa empresa? Eu acredito que nós.

Voltando ao assunto deste post… qual é o valor das certificações da SA? Qual é o valor de qualquer certificação de Agile ou Scrum? Qual é o valor de qualquer certificação?
Recordo-me que há algum tempo atrás o PMP (do PMI – Project Management Institute) era muito valorizado… e olhando para os dias de hoje acredito que perdeu muito da sua importância.

Eu acredito que a obtenção de certificações (até um certo ponto) trazem valor às pessoas… mas duvido muito do valor que traz as renovações.
Porque é que eu tenho de pagar 250 dólares de 2 em 2 anos para manter as certificações da SA que tanto me custaram (tempo, dedicação, esforço e dinheiro) obter?
Será que só pagando 250 dólares manterei o conhecimento? Então se não pagar e as deixar expirar? Será que perco todo o conhecimento (acumulado desde 2010/2011) de um dia para o outro?
E não é só a SA que faz isto… o PMI (e tantas outras) também cobra as renovações das suas certificações.

Vou vos dizer o que vou fazer: vou deixar expirar as minhas certificações. Até posso acreditar no valor da obtenção das certificações… mas não acredito na mais-valia de manter os disticos da SA.

Assim sendo, a partir de 18 de Outubro de 2017, deixarei de ser CSP (pelo menos aos olhos da SA).

As restantes certificações também irão expirar, no seu prazo devido, porque não as irei renovar.

Esta decisão não se prende por causa do valor da renovação em si, mas sim por achar abusivo este “esquema” de financiamento através de renovações de certificações.

Duas notas para a Scrum Alliance:
1 – Acho “piada” o CSD, o CSM e o CSPO não estarem abranguidos, até à data, pelos SEUs (Scrum Educational Units). Apenas o CSP está. Isto quer dizer que desde que as pessoas paguem 100 dólares de 2 em 2 anos a Scrum Alliance atesta que as pessoas têm conhecimento de Scrum. Podemos deduzir então que quem tem 100 dólares para pagar à SA tem conhecimentos de Scrum… e quem não tem 100 dólares para pagar não tem conhecimentos de Scrum;
2 – A Scrum.org não expira as suas certificações… fica aqui a dica. 😉

Até para a semana.